Este ar que eu respiro
sem bom senso, sem lógica, sem lei, sem rei nem rock!
30 de Julho de 2010
27 de Junho de 2010
11 de Junho de 2010
3 de Junho de 2010
"O pregar que é falar faz-se com a boca; o pregar que é semear, faz-se com a mão."
Sábado passado numa igreja perto de si...
"... porque esta é uma casa de respeito, tolerância e amor. (...) e Cristo disse: fazei o bem sem olhar a quem! Isto é que é ser bom!"
Apenas uns minutos depois...
"... porque esses casamentos que agora inventaram para aí, para mim não são casamentos. (...) gay... nem sei o que é isso! (...) eu nunca vi um cão juntar-se com outro cão!!! (...) Se calhar não sabem, mas os alcoólicos, os drogados e os esquizofrénicos não podem casar-se pela igreja!"
Nunca vi ninguém contradizer-se num tão curto espaço de tempo... acho que foi um all time record!!!!
Depois ainda se espantam por as igrejas estarem vazias... enfim... o Padre António Vieira é que tinha razão:
“… é uma dúvida ou admiração que me traz suspenso e confuso, depois que subo ao púlpito. Se a palavra de Deus é tão eficaz e tão poderosa, como vemos tão pouco fruto da palavra de Deus? Diz Cristo que a palavra de Deus frutifica cento por um, e já eu me contentara com que frutificasse um por cento. (…)
Nunca na Igreja de Deus houve tantas pregações, nem tantos pregadores como hoje. Pois se tanto se semeia a palavra de Deus, como é tão pouco o fruto? Não há um homem que em um sermão entre em si e se resolva, não há um moço que se arrependa, não há um velho que se desengane. Que é isto? Assim como Deus não é hoje menos omnipotente, assim a sua palavra não é hoje menos poderosa do que dantes era. Pois se a palavra de Deus é tão poderosa; se a palavra de Deus tem hoje tantos pregadores, porque não vemos hoje nenhum fruto da palavra de Deus? (…)
Sabeis, cristãos, porque não faz fruto a palavra de Deus? Por culpa dos pregadores. Sabeis, pregadores, porque não faz fruto a palavra de Deus? -- Por culpa nossa. (…)
A definição do pregador é a vida e o exemplo. Por isso Cristo no Evangelho não o comparou ao semeador, senão ao que semeia. Reparai. Não diz Cristo: saiu a semear o semeador, senão, saiu a semear o que semeia: Ecce exiit, qui seminat, seminare. Entre o semeador e o que semeia há muita diferença. Uma coisa é o soldado e outra coisa o que peleja; uma coisa é o governador e outra o que governa. Da mesma maneira, uma coisa é o semeador e outra o que semeia; uma coisa é o pregador e outra o que prega. O semeador e o pregador é nome; o que semeia e o que prega é acção; e as acções são as que dão o ser ao pregador. Ter o nome de pregador, ou ser pregador de nome, não importa nada; as acções, a vida, o exemplo, as obras, são as que convertem o Mundo. O melhor conceito que o pregador leva ao púlpito, qual cuidais que é? – o conceito que de sua vida têm os ouvintes. (…)
Antigamente convertia-se o Mundo, hoje porque se não converte ninguém? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e obras. Palavras sem obra são tiros sem bala; atroam, mas não ferem. (…) O pregar que é falar faz-se com a boca; o pregar que é semear, faz-se com a mão. Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras. (…) as palavras ouvem-se, as obras vêem-se; as palavras entram pelos ouvidos, as obras entram pelos olhos, e a nossa alma rende-se muito mais pelos olhos que pelos ouvidos. (…) o que entra pelos ouvidos crê-se, o que entra pelos olhos necessita.”
Padre António Vieira – Sermão da Sexagésima.
http://www2.fcsh.unl.pt/deps/estportugueses/Bibliolus/Textos/Serm%C3%A3o%20Sexa.%20-%20Vieira.pdf
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